Santo Agostinho de Hipona

Padroeiro de nossa comunidade

Santo Agostinho, anjo, Bíblia, bispo. pintura.

Nosso padroeiro é Santo Agostinho (Aurelius Augustinus), bispo de Hipona e Doutor da Igreja (o Doutor da Graça), nasceu em Tagaste em 13 de novembro de 354 e faleceu em Hipona em 28 de agosto de 430. Filho das lágrimas e da oração de Santa Mônica, cresceu ouvindo de sua mãe a beleza das Sagradas Escrituras, mas somente por volta dos dezoito anos, movido pela sede da verdade, tomou-as nas mãos pela primeira vez. Sua busca, contudo, não começou pela via da fé: enredado pelo maniqueísmo durante dez anos, acolheu as calúnias que os sectários de Mani lançavam contra o texto sagrado, negando a harmonia entre Antigo e Novo Testamento e atribuindo às Escrituras a obra de um princípio mau.

A graça divina, porém, por meio da intercessão perseverante de sua mãe e por acontecimentos decisivos em sua história, transformou-o profundamente. Ao contrário de muitos santos frequentemente idealizados, Santo Agostinho esteve profundamente mergulhado em pecados, tão graves quanto numerosos. Sua conversão é um dos mais belos testemunhos do poder redentor de Cristo, que transforma água em vinho: daquele que fora um dos maiores pecadores de seu tempo, Deus fez um dos maiores santos da história. Ordenado sacerdote em 391, Santo Agostinho exprime seu profundo desejo de consagrar-se ao estudo das divinas Escrituras: “mesmo tendo reconhecido minha fraqueza, meu dever é estudar com diligência todos os remédios que as Escrituras contêm para um caso como o meu, e dedicar-me, por meio da oração e da leitura, a garantir que minha alma seja fortalecida com a saúde e o vigor necessários para trabalhos tão exigentes” (Carta 21, 3). E cumpriu esse dever com extraordinária fidelidade.

Sua produção teológica é gigantesca. Estima-se que mais de dois terços da Bíblia podem ser reconstruídos apenas pelas citações presentes em suas obras, o que revela não apenas sua erudição, mas sua profunda imersão na Palavra de Deus. Desde sua conversão até sua morte, ano após ano surgiram novos comentários, tratados, sermões e cartas. Entre seus primeiros escritos estão os comentários ao Gênesis, ao Sermão da Montanha, ao Evangelho de João e à Epístola aos Gálatas, obras marcadas por sua inspiração paulina e por sua batalha intelectual contra o maniqueísmo.

Como exegeta, Santo Agostinho insistia que o sentido literal ou histórico deve sempre preceder o alegórico, para evitar interpretações artificiais ou distantes da verdade revelada. Ainda assim, fez amplo e magnífico uso do sentido espiritual das Escrituras. Seu gênio é profundamente latino: praticamente não foi influenciado pelo Oriente, tendo lido pouquíssimos comentários gregos e utilizando sobretudo a antiga versão latina conhecida como Ítala, que ele recomenda com vigor:

Entre as traduções latinas da Sagrada Escritura, deve-se dar preferência à versão Ítala, pois ela é mais fiel às palavras e, ao mesmo tempo, mais clara no sentido. E, quando for necessário corrigir versões latinas, devem-se consultar os textos gregos, entre os quais, no que se refere ao Antigo Testamento, a versão dos Setenta [Septuaginta] se destaca por sua autoridade.
Santo Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro II, cap. 15. Tradução Biblioteca Católica.

Como orador, fazia seu povo saborear as belezas da Palavra divina; como apologista, defendia a fé contra maniqueus e pagãos; como teólogo e pastor, iluminava com clareza, rigor moral e ardente caridade as verdades da fé. Sua obra culmina em sínteses monumentais, como a Cidade de Deus, onde fé e razão alcançam uma unidade exemplar.

Outra obra central são as Confissões, onde Santo Agostinho narra sua vida diante de Deus em forma de oração contínua: não como simples autobiografia, mas como um diálogo íntimo entre a criatura e o Criador, entre a miséria humana e a Misericórdia divina.

Santo Agostinho também comenta a antiga imagem do Pelicano Eucarístico, símbolo profundamente ligado à nossa comunidade. Em seu comentário ao Salmo 102, escreve:

Não deixemos de lado o que foi dito, ou mesmo lido, sobre esta ave, isto é, o pelicano… Diz-se que essas aves matam seus filhotes com golpes de bicos e que os lamentam por três dias quando mortos por elas mesmas no ninho; após o que dizem que a mãe se fere profundamente e derrama seu sangue sobre os filhotes, banhando-os, e assim recuperam a vida… se for verdade, vejam como concorda com Aquele que nos deu a vida por meio de Seu sangue; concorda bem. Pois ele se chama de galinha que choca seus filhotes (Mt 23, 37)… esta ave assemelha-se muito à carne de Cristo, por cujo sangue fomos chamados à vida. Mas como pode isso estar de acordo com Cristo, que a própria ave mate os seus filhotes? Não está de acordo com isto? “Matarei e darei vida; ferirei e curarei” (Dt 32, 39). Teria o perseguidor Saulo (At 9, 4) morrido, a menos que fosse ferido do céu? Ou teria o pregador ressuscitado, a menos que a vida lhe fosse dada pelo Seu sangue?
Santo Agostinho, Comentário ao Salmo 102, 8.

Por esses e tantos outros motivos, amamos e veneramos profundamente Santo Agostinho, tomando-o como modelo de busca sincera da Verdade, de fidelidade à Igreja e de imitação radical de Cristo, Aquele a quem toda verdadeira sabedoria deve conduzir.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz.
Santo Agostinho, Confissões, Livro X, cap. 27.

 

 

 

Santa Mônica

Ó Deus, consolador dos aflitos,
que acolhestes, em vossa misericórdia,
as lágrimas de Santa Mônica
pela conversão de seu filho Agostinho,
concedei-nos, pela intercessão de ambos,
chorar os nossos pecados
e encontrar a graça do vosso perdão.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus,
e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.
Amém.

 

 

Santo Agostinho

Senhor, nós vos pedimos,
renovai em vossa Igreja o espírito
com o qual dotaste o bispo Santo Agostinho;
repletos do mesmo espírito,
só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria,
só a vós busquemos, autor do amor eterno.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus,
e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.
Amém.

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